Bárbara Sweet e a Batalha de Santa Cruz: respeita as minas!

Por muito tempo acreditou-se que a cultura hip hop era território sagrado – e impenetrável – dos homens. Mesmo vivendo em um cenário em que artistas como Karol Conká, Lurdes da Luz, Flora Mattos e Drik Barbosa são reconhecidas como algumas das melhores rappers nacionais, o machismo prevalece e questiona o talento dessas e de muitas outras mulheres que tentam um espaço dentro da música.

Suas rimas não são boas, seu tom de voz não é grave o bastante, sua aparência não é das melhores… A lista de comentários preconceituosos que elas precisam ouvir só cresce e reflete a mesma ladainha de sempre. Quem tem a oportunidade de assistir a uma batalha de rap, em que homens e mulheres duelam pela melhor rima, sabe como essa situação é comum. Para o desespero de quem se agarra a essa mentalidade, “as minas” estão começando a responder.

Bárbara Bretos Coelho, de 28 anos, é uma delas. Conhecida na cena como Bárbara Sweet, a MC e feminista declarada ganhou as redes sociais depois de dar uma verdadeira lição sobre o que é ser mulher e minoria, durante a Batalha de Santa Cruz, a famosa rinha de MCs que acontece em São Paulo. Quando? Onde? Quem organiza?

Na batalha de rima, dois rappers se revezam com Bárbara, até que um deles, conhecido como Pasquim, resolve dizer que “(…) Os homens sofrem mais violência doméstica que as mulheres, isso é estatística (…) Eu não sou machista, e foda-se as feministas (…)”.

A rapper não perdoou o deslize do oponente e retrucou à altura, no improviso: “(…) Qual é essa estatística? Só pode ser baseada em um machista. É mulher que sofre violência doméstica, é mulher sofre violência estética, é a mulher que sofre a violência do dia a dia. Você é branco e hétero, não sabe qual é que é a da minoria (…)”.

A postura de Bárbara Sweet foi elogiada por outros nomes do rap. Emicida publicou no Facebook um post parabenizando a artista colocar o post, além de reforçar que nenhum MC vai longe ao tentar diminuir uma rapper pelo simples fato de ela ser uma mulher. Já viu? Dá o play!



Sobre

Meio briguenta e meio budista, Giovanna nasceu com a alma fingidora e dolorida dos poetas e com o defeito de fábrica da paixão pelo jornalismo. Encontrou no feminismo e nas Madalenas uma das maiores inspirações para lutar e viver. Nunca acreditou no impossível, e a prova disso é você, que nos lê agora. Chega mais!


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